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O açúcar da vida, por Margarida Rebelo Pinto.


As saudades mudam de cor todos os dias. São brancas quando é a esperança que ilumina o caminho, ficam azuis se o tempo de espera é longo, encarnadas quando ardemos de paixão, cinzentas quando já não acreditamos e pretas quando a morte nos leva os que amamos.
(...)
É TÃO bom sentir saudades de alguém! As saudades arrancam-nos do dia-a-dia, põe-nos a sonhar, a comprar discos antigos e a renovar o stock de almofadas da sala.

As saudades fazem-nos companhia. Às vezes estão tão presentes que é como se se materializassem: então chamamos por elas, batemos no estofo da cadeira ao lado da nossa e convidamo-las a sentarem-se ali connosco, como se de um amigo de escola se tratassem. E é nesse momento que ganham movimento, luz, se enchem de cores e já não são um sentimento abstracto, mas uma presença real nas nossas vidas.

Houve momentos da minha vida em que acordei com tantas saudades de alguém que mal me conseguia levantar. Outras vezes, aqueles que amo e que já partiram aparecem-me em sonhos e é quando penso que talvez o sono seja mesmo uma segunda vida e que as almas perduram no eterno para lá da existência corpórea.
(...)
E tudo isto são diferentes expressões do mesmo sentimento que me alimenta o património afectivo e me forra o coração a papel de seda. Sento-me a observar o vai e vem incessante de bando de miúdos nos quais reconheço feições de velhos amigos e dou comigo a lamber a ponta dos dedos para não perder nem um grão do açúcar da vida.
Eu continuo a gostar muito de ti.

Quero mais férias destas.

Tudo o que é bom acaba depressa não é?
É sempre difícil lidar com a distância, mesmo que sejam só dois dias.
Na nossa relação dois dias são uma eternidade.
«Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar. Em cada despedida eu vou te amar, desesperadamente, eu sei que vou te amar. E cada verso meu será pra te dizer que eu sei que vou te amar por toda minha vida. Eu sei que vou chorar a cada ausência tua, eu vou chorar, mas cada volta tua há de apagar o que esta ausência tua me causou. Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver, à espera de viver ao lado teu por toda a minha vida.»
Tom Jobim

Meu amor,

este é o primeiro ano do resto das nossas vidas.
  Porque é que nós temos saudades? As saudades são más, só nos trazem tristezas. Mas também podem ser boas... Podem mostrar-nos a importância que algumas pessoas têm.
  Saudades é sentir falta de algo, de alguém. É quereres ter esse alguém sempre por perto, de mão dada contigo. Eu tenho muitas saudades e para as ter não preciso de estar uma semana, um mês, um ano sem aquilo que me faz falta. Bastam apenas uns minutos de distância para este sentimento se apoderar de mim. E a despedida dói sempre tanto. Saber antecipadamente que vou ter saudades é pior ainda. Saudades malditas!

  Ainda ontem estivemos juntos e já sinto falta do toque suave das tuas mãos, do teu olhar protector, da cumplicidade do nosso amor.
  Hoje, acordei com uma vontade enorme de te abraçar, meu querido. De correr para ti e nunca mais te largar. De te dizer ao ouvido, bem baixinho, que te amo e que és o homem da minha vida.